“O Agente Secreto”, obra dirigida por Kleber Mendonça Filho, estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (6) e já gera expectativa tanto no cenário nacional quanto internacional. Visto que o longa ambienta-se no Brasil de 1977 — em pleno regime militar — e aborda a trajetória de um professor interpretado por Wagner Moura que foge de São Paulo para Recife, procurando reconstruir a vida apenas para descobrir que está sendo espionado, a narrativa mistura suspense político com memória e identidade.
Além do enredo, a produção foi amplamente reconhecida em festivais. No Festival de Cannes 2025, o filme recebeu os prêmios de Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Direção para Kleber, além de ter sido escolhido como representante oficial do Brasil para o Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional.
Aspectos técnicos e expectativas
A produção, que teve financiamento de mecanismos públicos e vias de co-produção internacional, apresenta um elenco de peso, com Wagner Moura à frente, apoiado por nomes como Maria Fernanda Cândido e Gabriel Leone. A fotografia, ambientada entre São Paulo e Recife, e a reconstrução da atmosfera da década de 1970, demonstram o cuidado estético da obra.
A direção de arte e a trilha sonora constroem um retrato sensorial da década: o ruído do orelhão, o ronco do fusca, a poeira quente das ruas. A música, como em todos os filmes de Mendonça, é personagem à parte.
Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Kléber Mendonça Filho, fala sobre a escolha da trilha:
“‘Paêbirú’, de Zé Ramalho e Lula Côrtes, é uma obra-prima da psicodelia brasileira. Eu já escrevi o roteiro com duas músicas desse disco – ‘Harpa dos Áries’ e ‘Trilha de Sumé’. Elas são muito impactantes, quase como se o próprio vinil respirasse dentro do filme.” Mendonça confessa que hoje vive algo que sempre sonhou: poder “discotecar” seu filme, sem as limitações orçamentárias de antes. “É um prazer muito grande poder usar as músicas que amo, com orçamento para isso.”
O diretor confirmou que lançará um vinil duplo com a trilha sonora e um livro com o roteiro completo, pela editora Record, sob o selo Amacor.
Mendonça reconhece a responsabilidade de representar o país num momento de grande visibilidade. “
No elenco, Wagner Moura brilha como Marcelo, um professor de tecnologia que tenta recomeçar a vida no Recife, fugindo de um passado violento. O ator, que já venceu Cannes pelo papel, é um dos cotados ao Oscar de Melhor Ator 2026.
“Quando li o roteiro, senti uma conexão imediata com o texto que eu mesmo vinha escrevendo para o teatro. O Agente Secreto fala de moral, verdade, poder e medo — tudo o que também me move na cena”, disse Moura em entrevista na Mostra de Cinema de São Paulo. O diretor está em cartaz com o espetáculo teatral ‘’Um julgamento: Depois do Inimigo do povo’’ , peça inspirada na obra de Ibsen, criada por Wagner Moura e Christiane Jatahy.
Sua parceira de cena, Tânia Maria, comove como Dona Sebastiana, a proprietária dos apartamentos que acolhem refugiados no Recife. O papel, de uma generosidade profunda, humaniza o filme e coloca a atriz, citada em matérias de publicações americanas como a revista ‘’Variety’’ e ‘’The Hollywood Reporter’’ que a incluíram em listas de possíveis indicadas ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante de 2026 .
Alice Carvalho, que também integra o elenco, destacou à Agência Brasil a importância da diversidade no cinema nacional.
“O público brasileiro desvela outros sentidos do filme. A gente sente o impacto de ver os nossos sotaques, rostos e histórias nas telas. Isso é o Brasil que existe e que quer se ver representado.”
O Agente Secreto, que já faz parte de um dos maiores lançamentos nacionais, terá exibição garantida em mais de 90 países, incluindo China, México, Índia e Coreia do Sul.









