Presidente venezuelano responde a processo nos EUA por crimes ligados ao narcotráfico e armas
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou-se inocente de todas as acusações que pesam contra ele durante audiência realizada nesta segunda-feira (5) em um tribunal federal de Nova York. Formalmente acusado pela Justiça norte-americana por crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas e à posse ilegal de armas, o líder venezuelano voltou a adotar um discurso de negação e contestação da legitimidade do processo.
“Sou um homem decente. Sou inocente. Não sou culpado de nada do que é mencionado aqui”, afirmou Maduro diante do juiz distrital Alvin Hellerstein, magistrado experiente que preside o caso. A esposa do presidente, Cilia Flores, que também é alvo de acusações, esteve presente na audiência e igualmente se declarou inocente.
Acusações e contexto internacional
Os Estados Unidos prenderam o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, para ser julgado nos EUA, segundo um senador republicano que afirma ter conversado com o secretário de Estado, Marco Rubio. “Ele me informou que Nicolás Maduro foi preso por funcionários dos EUA para ser julgado por acusações criminais nos Estados Unidos, e que a ação cinética que vimos foi implantada para proteger e defender aqueles que executam o mandado de prisão”, postou o senador de Utah Mike Lee no X na manhã de sábado (3).
As denúncias contra Maduro fazem parte de uma série de investigações conduzidas por autoridades dos Estados Unidos, que apontam o envolvimento de integrantes do alto escalão do regime venezuelano em esquemas de narcotráfico e cooperação com organizações criminosas internacionais. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, o governo de Caracas teria sido transformado em uma engrenagem a serviço do crime organizado, tese que é rejeitada pelo Palácio de Miraflores.
Visto que a Venezuela vive sob sanções internacionais e isolamento diplomático crescente, o caso ganha relevância geopolítica. Para analistas, o julgamento simboliza o avanço da responsabilização individual de líderes autoritários, ainda que o governo venezuelano alegue perseguição política e interferência externa em seus assuntos internos.
Decisões judiciais e próximos passos
Durante a audiência, foi autorizado pelo juiz um pedido apresentado pela defesa para que Maduro e Cilia Flores recebam visitas de um representante do Consulado da Venezuela, medida que foi concedida como garantia de direitos consulares. Além do mais, uma nova audiência foi agendada para o dia 17 de março, quando novos desdobramentos processuais devem ser apresentados.
Parte das acusações já havia sido formalizada anteriormente por promotores federais, e o processo segue tramitando sob rigor judicial. Contudo, o governo venezuelano insiste que as denúncias têm motivação política e que não reconhece a jurisdição dos tribunais norte-americanos.










