Enchente no Nepal deixa centenas desaparecidos
A enchente no Nepal deixou 384 viajantes desaparecidos na região de Rasuwa, perto da fronteira com o Tibete, nesta quarta-feira (26). O levantamento inicial foi divulgado pelo Conselho de Turismo do Nepal, com base em informações enviadas por empresas de turismo e agências de viagem.
Segundo o órgão, a lista preliminar inclui 291 estrangeiros e 93 cidadãos nepaleses. Além do mais, há viajantes da Índia, Austrália, Países Baixos, África do Sul, Reino Unido e Malásia entre os desaparecidos. Autoridades ainda verificam os dados com guias, operadores turísticos, governos locais e forças de segurança.
A tragédia ocorreu após uma enchente repentina atingir áreas próximas ao rio Bhote Koshi, uma região montanhosa e estratégica para o turismo. O desastre também afetou comunidades no corredor entre Nepal e Tibete, onde estradas, pontes e redes de energia sofreram danos severos.
Enchente no Nepal atinge turistas e moradores
As autoridades confirmaram pelo menos 22 mortes após as chuvas torrenciais e os deslizamentos na região do Himalaia. Contudo, o número pode subir, visto que equipes ainda não conseguiram acessar todas as áreas afetadas.
O distrito de Rasuwa, que tem cerca de 50 mil habitantes, registrou grandes danos em Syapru Besi e Timure. Helicópteros de resgate tentaram chegar aos locais atingidos, porém não conseguiram pousar porque o rio saiu do curso normal.
Imagens exibidas por emissoras locais mostraram casas desabando, carros arrastados pela correnteza e uma ponte metálica levada pela água. Testemunhas também relataram que vilarejos inteiros ficaram alagados em poucos minutos.
O administrador distrital Narendra Pariyar alertou moradores das margens do Bhote Koshi a buscarem áreas mais altas. Segundo ele, vilarejos e canteiros de obras foram atingidos com força. Além do mais, autoridades temem perdas materiais maiores devido à instabilidade do terreno.
Resgate enfrenta estradas bloqueadas e falta de energia
As equipes de emergência enfrentam acesso difícil por causa da destruição de estradas, pontes e linhas de comunicação. A agência estatal chinesa Xinhua informou que deslizamentos interromperam rotas, fornecimento de energia e serviços básicos em áreas da fronteira.
No Tibete, autoridades também relataram desaparecidos no condado de Gyirong. A região abriga uma passagem terrestre importante entre China e Nepal. Por isso, o bloqueio afeta moradores, comércio local, turistas e operações de resgate.
O líder chinês Xi Jinping ordenou uma operação de busca e salvamento em larga escala para localizar desaparecidos, segundo a Xinhua. No lado nepalês, o Exército informou que os helicópteros só conseguirão pousar quando as águas baixarem e houver segurança mínima.
Moradores de Rasuwa descreveram cenário de destruição. O agente de saúde Tula Bahadur BK afirmou à Reuters que assentamentos próximos ao rio foram completamente destruídos. Ele também relatou que cinco parentes estão desaparecidos.
Turismo sofre impacto em região sensível
O Nepal depende fortemente do turismo, especialmente em áreas de montanha e rotas ligadas ao Himalaia. Dessa forma, a tragédia reacende preocupações sobre segurança, infraestrutura e resposta rápida em regiões remotas.
O país recebe visitantes interessados em trekking, templos, montanhas e rotas de aventura. Porém, essas atividades exigem logística eficiente, comunicação estável e controle rigoroso de operadores turísticos, visto que desastres naturais podem isolar viajantes rapidamente.
A região de Rasuwa fica ao norte de Katmandu e serve como rota para áreas turísticas e fronteiriças. Além do mais, o relevo íngreme aumenta o risco de deslizamentos durante períodos de chuva intensa.
O Conselho de Turismo do Nepal informou que continuará atualizando os números após checagem com empresas, guias e autoridades. A prioridade das equipes segue concentrada na localização dos desaparecidos, no atendimento aos feridos e na retirada de moradores em áreas de risco.
O Nepal registra enchentes e deslizamentos com frequência durante o período de monções, que costuma ocorrer entre junho e setembro no sul da Ásia.










