
Trump fez voo secreto após ameaça do Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria deixado a Turquia em um voo militar secreto após uma ameaça de assassinato atribuída ao Irã. A informação foi publicada pelo Washington Post na segunda-feira (10) e confirmada em reportagem da Reuters nesta terça-feira (11).
Segundo o jornal americano, Trump saiu de Ancara em uma aeronave menor da Força Aérea dos Estados Unidos, enquanto jornalistas e parte da equipe da Casa Branca acreditavam que ele seguia no Air Force One. A operação ocorreu após a cúpula da Otan, em meio ao aumento das tensões entre Washington e Teerã.
A Casa Branca não negou a adoção de medidas especiais. Em nota, o diretor de Comunicações, Steve Cheung, afirmou que os Estados Unidos usam “todas as ferramentas” disponíveis para lidar com ameaças contra o presidente. Além do mais, ele disse que “muitos inimigos da América” monitoram Trump.
Operação usou Air Force One como despiste
De acordo com o Washington Post, Trump embarcou diante das câmeras em um Air Force One mais antigo, de cor azul-clara, no aeroporto de Ancara. Contudo, depois desse embarque público, agentes o transferiram secretamente por meio de um caminhão de serviço de alimentação.
O presidente seguiu para um C-32A, aeronave militar menor usada pela Força Aérea americana em deslocamentos oficiais. Esse avião voou até a Grã-Bretanha e pousou por volta das 22h20, horário local, segundo o relato publicado.
Enquanto isso, o Air Force One antigo levou a imprensa e alguns integrantes da comitiva. O avião chegou minutos depois. Visto que a operação envolvia segurança presidencial, repórteres receberam orientação para manter as persianas das janelas fechadas durante o voo.
Mais tarde, questionado sobre a medida, Trump disse que os jornalistas estavam “provavelmente em um voo perigoso”. Em tom direto, acrescentou: “Mas, se eu for, vocês vão comigo. Certo?”.
Ameaça do Irã elevou alerta de segurança
A operação ocorreu em um momento de hostilidade crescente entre Estados Unidos e Irã. O Irã faz fronteira com a Turquia e mantém longa disputa com Washington por sanções, programa nuclear, influência regional e ataques atribuídos a aliados do regime iraniano no Oriente Médio.
Autoridades americanas tratam ameaças contra presidentes e ex-presidentes como tema de segurança nacional. Por isso, o Serviço Secreto e o aparato militar podem alterar rotas, aeronaves e horários sem aviso público.
O Washington Post informou que a ameaça contra Trump foi considerada crível. Porém, o jornal não detalhou todos os elementos de inteligência que levaram à decisão. O Pentágono não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário, segundo a Reuters.
A operação lembra um episódio de 2000, quando o então presidente Bill Clinton entrou no Paquistão em um jato executivo sem identificação. Na ocasião, o Air Force One oficial serviu como avião de despiste, devido a riscos de segurança.
Novo avião do Catar gerou questionamentos
A viagem à cúpula da Otan marcou o primeiro deslocamento internacional do novo avião presidencial usado por Trump. A aeronave, um Boeing 747 doado pelo Catar aos Estados Unidos, recebeu reformas feitas pela empresa de defesa L3Harris Technologies.
O jato tem pintura em vermelho, branco, azul-escuro e dourado, cores escolhidas por Trump. Ele surgiu como solução temporária enquanto a Boeing enfrenta atrasos na entrega da nova geração do Air Force One.
Antes de deixar Ancara, Trump afirmou no Truth Social que usaria o antigo Air Force One “por causa dos velhos tempos”. Ele disse ainda que o novo avião faria uma parada na base britânica de Mildenhall, para que militares americanos conhecessem a aeronave.
A revelação do voo secreto, contudo, trouxe novas dúvidas sobre a real motivação da troca de aeronave. A Casa Branca afirmou que o jato doado pelo Catar recebeu protocolos de segurança de alto nível para proteger o presidente e sua equipe.
Segurança presidencial envolve sigilo e dissuasão
Os Estados Unidos mantêm protocolos rigorosos para viagens presidenciais. A logística inclui aeronaves alternativas, veículos blindados, equipes avançadas, comunicações seguras e coordenação com governos estrangeiros.
Além do mais, o uso de despistes busca reduzir riscos em ambientes de ameaça elevada. Quando uma ameaça recebe avaliação crível, autoridades podem alterar o plano sem informar imprensa, aliados menores da comitiva ou parte da equipe civil.
Apesar da controvérsia, operações desse tipo não são inéditas. Elas fazem parte da doutrina de proteção presidencial, sobretudo em viagens internacionais próximas a regiões instáveis.
O caso também evidencia a relação tensa entre Washington e Teerã. Desde a morte do general iraniano Qasem Soleimani em 2020, autoridades dos Estados Unidos monitoram ameaças atribuídas ao Irã contra figuras do governo americano. Nesse contexto, o voo secreto de Trump reforça o peso da segurança nacional nas decisões de deslocamento presidencial.









